Bioética e Epilepsia
Bioética e Epilepsia
Prof. José Roberto Goldim
A reflexão sobre os aspectos éticos envolvidos com os pacientes portadores de epilepsia tem sido abordada por diferentes autores em diferentes épocas. A base bibliográfica MEDLINE apresenta 67 artigos que relacionam a ética à epilepsia. Estes artigos vem sendo publicados desde 1968. Na base bibliográfica BIOETHICSLINE foram recuperadas 53 citações, no período entre 1973 e 1999.
Os artigos podem ser agrupados em três grandes temas: pesquisa, aspectos clínicos e autonomia dos pacientes.
Tabela 1 - Produção científica em Ética e Epilepsia, 1968 - 1999, Medline. Ano Número de artigos Pesquisa Assistência Autonomia 1968 1 esterilização 1969 2 estimulação capacidade 1970 2 privacidade e risco (motoristas) 1972 1 estimulação elétrica 1973 7 psicopatologia, cirurgia privacidade (motoristas), preconceito 1974 1 crianças 1975 1 cirurgia 1976 2 cirurgia 1977 1 reabilitação 1978 2 revisão de casos graves privacidade e risco (motoristas) 1979 4 crianças controle de comportamento risco (motoristas) 1980 1 risco (motoristas) 1982 1 limite terapêutico em crianças 1983 2 otimismo terapêutico capacidade e responsabilidade 1986 1 capacidade 1989 2 crianças 1991 2 farmacologia 1992 1 privacidade e risco (motoristas) 1993 4 delineamentos; seleção esterilização 1994 6 delineamentos; pesquisa em consultório limite terapêutico em crianças capacidade 1995 2 placebo risco (motoristas) 1996 5 farmacologia: mulheres, multicêntricos drogas e morte encefálica capacidade e responsabilidade em agressões 1997 7 farmacologia: mulheres privacidade; prontuário 1998 7 avanços neurológicos cirurgia; crianças privacidade e risco (motoristas) 1999 1 farmacologia
Aspectos Éticos da Pesquisa em Epilepsia
- Revisões baseadas em casos graves
- Banalização de sintomas e de repercussões
- Pesquisa em Farmacologia
- Riscos associados à nova droga
- Estudos de segurança
- Estudos farmacológicos pós-AIDS
- Riscos Associados ao Delineamento
- Seleção de pacientes
- Generalização dos resultados
- Critérios de Exclusão
- Mulheres, especialmente gestantes
- Processos metabólicos diferenciados
- Utilização de Placebo
- Informação adequada
- Risco associado
- Período de Wash-out
- Risco associado
- Informação adequada
- Pesquisa em Consultório
- Acompanhamento e segurança
- Registro
- Estudos Multicêntricos
- Necessidade de refazer estudos
- Pesquisa como lançamento comercial
Aspectos Éticos da Assistência em Epilepsia
- Otimismo terapêutico
- Efeitos e resultados desejáveis, possíveis e prováveis
- Estimulação elétrica
- Controle de comportamento
- Alteração de orientação sexual
- Psicopatologia,
- Reabilitação
- Cirurgia
- Drogas e morte encefálica
- Limite terapêutico em crianças - futilidade
Aspectos Éticos da Autonomia do Paciente com Epilepsia
- Esterilização
- Eliminação dos indivíduos não-aptos - Eugenia
- EEUU 1920-1930
- Epilepsia, sífilis, criminosos, alcoolistas, usuários de drogas, imigrantes do leste europeu, leprosos, baixa inteligência, tuberculose.
- Alemanha 1933 - Leis de Nuremberg
- Lei da cidadania do Reich
- Perda da cidadania para os judeus
- Lei da Proteção do Sangue
- Bloqueio dos casamentos entre judeus e não-judeus
- Lei de Saúde Marital
- Baseou-se na lei dos EEUU, incluindo as doenças genéticas (Huntington), mentais (esquizofrenia, psicose maníaco-depressiva)
- 300.000 a 350.000 esterilizações (1933-1945)
- Desejavam esterilizar 10% a 15% da população
- Esterilização não foi considerado crime contra a humanidade.
- Proteção do paciente
- Epilepsia, retardo mental e abuso sexual
- Casos judiciais que solicitam autorização para esterilizar
- Privacidade
- Acesso a Prontuário
- Adequada evolução e indicação da relação risco-benefício dos tratamentos
- Preconceito associado
- Rejeição
- American Disabilities Act 1990
- Proteção dos portadores de epilepsia contra discriminação
- Privacidade X Risco dos motoristas (dever prima facie)
- Austrália
- 98% profissionais da Austrália risco sobrepõe a privacidade
- EEUU
- 6 estados exigem a comunicação, 44 não, estes estados deixam a critério do médico deliberar sobre a necessidade de informar as autoridades sobre os riscos associados ao motorista epiléptico
- Capacidade Plena ou Capacidade "Flutuante"
- Responsabilidade por atos praticados
- Paciente que foi devidamente informado dos riscos de dirigir, se tiver um acidente deve ser considerado responsável e pasível de culpa por negligência.
- Atribuição de culpabilidade
- Paciente que agride pode ser responsabilizado
- Relação médico-paciente
- Informações adequadas
- Tempo para família assimilar uma má notícia
- Novas informações, repetição
Material de Apoio - Textos
Página de Abertura - Bioética
Texto incluído em 24/05/1999 e atualizado em 05/06/1999 ©Goldim/1999