Disciplina Filosofia e Bioética (graduação) PUCRS Apenas até 2019
O Espirito do Tempo: Música, Literatura e Bioética A influência da cultura alemã no início da Bioética
Foyer Multipalco Eva Sopher do Theatro São Pedro
19 de junho de 2018 19h30min
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Considerações sobre o Espírito do Tempo e a Bioética José Roberto Goldim – biólogo
LiederKonzert
Angela Diel - mezzo-soprano
Ney Fialkow - piano
Programa
Johann Gottfried Herder (1744-1803)
O Espírito do Tempo - Zeitgeist
Nos ocorreu resgatar o termo Zeitgeist, muito em função dos tempos que estamos vivendo, da necessidade de refletir sobre a importância do tempo no entendimento das características e contribuições culturais, científicas e sociais.
Zeitgeist foi um conceito proposto por Johann Gottfried Herder, que viveu entre os anos de 1744 e 1803. Herder, assim como Goethe e Schiller, se associou ao movimento Sturm und Drang, que pode ser traduzido por Tempestade e Ímpeto, que foi a base do Romantismo Alemão. Esta denominação foi retirada do título de uma peça de teatro de Friedrich Maximilian Klinger (1752-1831). Era um movimento de retorno a poesia da Bíblia, de Homero e do folclore nacional. Na música, Mozart e Haydn se associaram a esta proposta. Eles se denominavam de Stürmer, que poderia ser traduzido por Avançados.
Herder, em 1793, definiu Zeitgeist como sendo as "opiniões, costumes e hábitos predominantes de um tempo ", poderia se utilizar o termo Mentalidade.
Georg Wilhelm Friedrich Hegel (1770-1831), que habitualmente é citado como criador deste termo, na realidade nunca o usou. Ele utilizava Geist der Zeiten, ou o Espírito dos Tempos . Para Hegel, espírito era a expressão da cultura de um povo. Goethe já havia utilizado esta expressão, inúmeras vezes, em sua obra, especialmente no início de Fausto.
A palavra Espírito é polissêmica, ou seja, admite múltiplos significados, podendo levar a compreensões ambíguas. Espírito pode ser utilizado para as substâncias incorpóreas, tais como os anjos e as almas dos mortais; pode ser o sopro que vivifíca (Pneuma); pode ser uma disposição ou uma atitude, como em espírito esportivo; e pode ser sinônimo de Mente, como fonte dos pensamento, como caracterizou Abbagnano, em seu Dicionário de Filosofia. Neste último sentido, que é o utilizado pelos diferentes autores ao se referirem ao Espírito do Tempo, é o sistema de crenças, de reconhecimentos, de ignorâncias, de expectativas e de significados, como tão bem caracterizou John Dewey.
Afinal, o que é o Espírito do Tempo, nada mais é do que o conjunto das características de uma época histórica. Estas características podem gerar, em alguns momentos peculiares, uma sinergia, uma amplificação, resultando em uma nova perspectiva de pensamento. É desta conjunção de fatores culturais que surgem algumas das ideias mais inovadoras da história, como a Bioética, por exemplo.
É neste sentido que estamos propondo esta série de oficinas sobre Música, Literatura e Bioética. Não poderíamos começar de outra maneira, pelas origens do Espirito do Tempo e da Bioética: a cultura alemã do século 19.
O reconhecimento da importância da vida e do viver para a Ética foi fruto deste sistema de crenças e saberes. Dois autores, Albert Schweitzer e Fritz Jahr, sintetizaram estas questões produzindo duas propostas para um mesmo pensamento: a Reverência à Vida e a Bioética.
Muitas influências culturais foram comuns a ambos autores. A poesia e a música deram leveza e sensibilidade para o pensamento que integra o ser humano à natureza, dando sentido à sua integração com a humanidade como um todo.
Nesta noite, além de uma breve apresentação das ideias de Albert Schweitzer e de Fritz Jahr, teremos uma seleção de canções alemãs – denominadas Lieder – que em muito moldaram o pensamento destes dois autores. O Romantismo alemão nos remete a uma expressão expandida da realidade, às poucas coisas que são realmente inevitáveis nas nossas vidas: a natureza, a morte, a felicidade e o amor.
Para nos apresentar estas obras maravilhosas, contamos com a participação de Ângela Diel e de Ney Fialkow.
Robert Schumann (1810-1856)
Der Nussbaum (A Nogueira) op. 25 n. 3 – Julius Mosen (1803-1867)
É toda verde a nogueira que está na frente da casa,
perfumada
arejada
Ela espalha seus galhos frondosos,
De flores delicadas é toda recoberta;
delicados
ventos
Vem abraçá-las com tenro afeto.
Sussurrando as flores, unidas duas a duas,
graciosamente
inclinando,
ao beijo do vento, suas pequenas cabeças.
Sussurrando de uma garota
Que pensava
De noite
De dia, sem saber em que.
Sussurram - quem pode entender
Uma tão suave
Canção?
Eles sussurram sobre um noivo e do próximo ano,
A garota escuta, o ruído da árvore,
Com desejo,
E esperança,
Sorrindo, ela mergulha no sono, e sonha.
Robert Schumann (1810-1856)
Die Lotusblume (A flor de Lótus) op. 25 n. 7 - Heinrich Heine (1797-1856)
A flor de lótus tem receio
Do esplendor do sol,
E, cabisbaixa e sonhadora,
Espera pela noite.
A lua é o seu amante,
Desperta-a com a sua luz,
E revela-lhe amigavelmente
A sua inocente face de flor.
Ela floresce e arde e irradia,
E olha em silêncio para o alto,
Perfuma e chora e estremece
Com o amor e os desgostos de amor.
Franz SCHUBERT (1797-1828)
Heidenröslein (Rosa da campina) - Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832)
Viu um jovem, uma rosinha sobre a campina,
era tão fresca e bela como a manhã,
para vê-la de perto correu, e a contemplou com alegria.
Rosinha, rosinha, rosinha vermelha, rosinha da campina.
O jovem falou: "Eu te colherei, rosinha da campina."
A rosinha falou: "A ti irei espetar, para que penses sempre em mim,
e disso eu não sofrerei."
Rosinha, rosinha, rosinha vermelha, rosinha da campina.
E o jovem traquinas colheu a rosinha da campina.
A rosinha se defendeu e o espetou, não o ajudaram nem dor nem ai,
teve mesmo de suportá-la. Rosinha, rosinha, rosinha vermelha, rosinha da campina.
Franz SCHUBERT (1797-1828)
Ganymed (Ganímedes) - Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832)
Como no brilho da manhã me aqueces por todos lados, primavera amada!
Numa imensa onda de amor aconchegas ao meu coração
teu calor eterno sentimento sagrado, beleza infinita!
Que desejo segurar-te com esse braço!
Ah, em teu peito me recosto e anseio,
e tuas flores e teu capim se achegam a meu coração.
Tu refrescas a sede que queima meu peito, brisa delicada da manhã!
O rouxinol chama por mim gentilmente lá do vale nublado.
Já vou, já vou! Para onde? Ah, para onde?
Para o alto! Devo chegar ao alto.
As nuvens pairam abaixo, abaixo, as nuvens
se inclinam ao anseio do amor.
A mim! A mim! Em seu regaço para o alto!
Abrangendo e prendendo!
Subindo para junto do teu peito,
Pai amoroso!
Albert Schweitzer (1875-1965)
O Precursor da Bioética
Albert Schweitzer nasceu em Kaysersberg, na Álsácia-Lorena, então território alemão, em 14 de janeiro de 1875. Passou a sua infância em Gusnbach, onde seu pai era Pastor luterano. Na mesma igreja, em horários alternados, haviam cultos luteranos e missas católicas. Ele faleceu em Lambaréné, no Gabão, em 4 de setembro de 1965.
Era membro de uma influente família de políticos da região.
Uma curiosidade familiar é que uma prima-irmã de Albert, Anne-Marie Schweitzer é a mãe de Jean-Paul Sartre. Schweitzer, quando questionado das ideias de Sartre, afirmou: “todas as opiniões são respeitáveis quando são sinceras, e por conta disso, Deus seguramente o perdoará”.
Schweitzer teve formação em Teologia, Filosofia, Música e Medicina. Em todas estas áreas teve um importante destaque. Ele recebeu as seguintes honrarias:
• Prêmio Goethe do governo de Frankfurt – 1928, foi o segundo intelectual a receber esta distinção para a área da literatura.
• Prêmio Nobel da Paz – 1952 – pela sua criação e atuação no hospital em Lambaréné atuação na África
• Medalha Paracelso da Associação Médica Alemã – 1952– primeiro a receber esta honraria, com outros dois médicos
Schweitzer se formou em Teologia, especializando-se na obra de São Paulo e na pesquisa histórica sobre Jesus, e Filosofia, com tese sobre a obra religiosa de Kant, na Universidade de Estrasburgo, com 25 anos. Aos 30 anos já era professor desta universidade, atuava como Pastor e era reconhecido como organista, intérprete e biógrafo de Johann Sebastian Bach. Os seus livros e discos estão disponíveis até os dias de hoje. Também era uma referência na construção de órgãos e do Movimento de Reforma dos Órgãos.
Fez Medicina, como forma de auxiliar pessoas de uma forma mais concreta. O seu trabalho de conclusão de curso, em 1912, foi “um estudo psiquiátrico de Jesus”. Após se formar, casou em 1912, com Helene Breslau, que era Assistente Social e Enfermeira. Teve uma única filha, Rhena Schweitzer Miller. Em 1913 foram para a África para trabalhar em uma missão em Lambaréné no Gabão. Em 1917 foram considerados prisioneiros de guerra, e mandados a um campo de concentração na França, onde permaneceram até o final da guerra. Neste período ele escreveu:
“Começaremos novamente. Devemos dirigir nosso olhar para a humanidade”.
Após o término da guerra faz uma série de conferências e concertos visando angariar recursos e volta para Lambaréné para reconstruir um hospital, agora com um grupo de médicos e enfermeiros. Passa alguns períodos na África e outros na Europa. De 1939 até o final da segunda guerra, permanece na África.
Algumas citações revelam a sensibilidade que a questão da vida e do viver tiveram na obra de Albert Schweitzer.
O surgimento da ideia de Reverência à Vida ocorreu, em setembro de 1915, em uma viagem na África:
“Já era tarde, no terceiro dia, no momento em que, ao pôr do sol, nós estávamos fazendo o nosso caminho através de uma manada de hipopótamos, brilhou em minha mente, de forma imprevista e impensada a frase, "Reverência pela Vida". (...) Agora eu sabia que a aceitação ética do mundo e da vida, juntamente com os ideais da civilização contidas neste conceito, tem uma base neste pensamento” (3).
Neste mesmo relato ele cita:
“Assim como a hélice que ao movimentar a água impulsiona o navio, assim reverência à vida conduz o ser humano” (3).
Com relação ao conceito de Reverência à Vida, seguem alguns esclarecimentos do próprio autor:
“Reverência para a infinidade de vida significa remover a alienação e restaurar a empatia, a compaixão, a simpatia” (4).
“Reverência envolve toda a vida no maior mandamento, na sua forma mais elementar. Tomamos esta proibição ("Não matarás") de forma tão leve, sem pensar nisso ao arrancar uma flor” (4).
“(A Reverência à Vida) é que me dá o princípio fundamental da moral, ou seja, que o bem consiste em manter, promover e melhorar a vida, e que destruir, ferir e limitar a vida é o mal” (5).
Sobre a Vida, Albert Schweitzer, esclareceu novamente:
“A vida é sentir, experienciar, sofrer. Se você estudar a vida profundamente, com os olhos perspicazes que procuram sua profundidade, no vasto caos animado desta criação, vai lhe causar tonturas de repente. Em tudo, você reconhecerá a si mesmo” (4).
“A vida exige um olhar que permita reconhecer, por meio da solidariedade para com todas as formas de vida, em qualquer grau, como tendo alguma semelhança com a vida que está em nós” (3).
“Um homem é ético apenas quando a vida, como tal, das plantas e animais, é sagrada para ele, assim como a de seus semelhantes ... “(5)
“Uma ética universal, do sentimento de responsabilidade por uma esfera cada vez maior de tudo que vive, pode ser baseada apenas na reflexão” (5).
Franz Schubert (1797-1828)
Nähe des Geliebten (A proximidade do amado) - Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832)
Penso em ti, quando os raios do sol refulgem do mar sobre mim;
penso em ti, quando a lua em cascatas cintila.
Vejo a ti, quando ao longe no caminho a poeira se levanta;
na noite profunda, quando o caminhante hesita sobre a ponte estreita.
Ouço a ti, quando com rumor surdo a onda se eleva.
vou seguido ao bosque silencioso, quando tudo se cala.
Estou contigo, mesmo que estejas tão longe.
Estás bem próxima de mim!
O sol se põe, logo as estrelas brilharão. Oh, estivesses tu aqui!
Franz Schubert (1797-1828)
Der Musensohn (O filho das Musas) - Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832)
Vaguando através de campos e bosques, assobiando minha canção,
assim sigo de aldeia em aldeia!
E tudo se mexe ao meu ritmo e tudo se anima conforme a melodia
seguindo junto comigo.
Mal posso esperar, pela primeira flor no jardim,
Pelo primeiro broto na árvore.
Elas saúdam meus cânticos, e quando o inverno regressa,
ainda canto esse sonho.
Eu o canto lá longe, sobre a amplidão do gelo, onde o inverno floresce em beleza!
Também esta floração desaparece, e nova alegria se encontra sobre as alturas cultivadas.
Então, quando eu junto à tília, encontro o jovem grupo, tão logo os provoco.
O rapaz apático se ufana, a moça, tesa, rodopia ao som da minha melodia.
Vocês dão asas aos pés levando através de vales e montes para longe de casa o amado.
Oh, amadas, musas graciosas, quando, enfim, novamente junto a seu seio descansarei?
Franz Schubert (1797-1828)
Gretchen am Spinnrade (Gretchen na roda de fiar)- Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832)
Minha paz se foi, meu coração pesa;
Eu não a encontro nunca e nunca mais.
Onde eu não encontro o meu amado, tudo é sem vida,
Estou desiludida com o mundo
Minha pobre cabeça está fora de si.
Minha consciência está amortecida.
Minha paz se foi, meu coração pesa;
Eu não a encontro nunca e nunca mais.
Meu olhar está voltado só para ele, meus passos só caminham com ele
Seu nobre andar, seu corpo altivo,
Sua boca sorridente, a força do seu olhar,
O encanto de suas palavras Seu carinho, e ah! Seu beijo.
Meu ser anseia por ele.
Ah... se eu pudesse abraçá-lo, acariciá-lo, e beijá-lo,
Como eu desejaria, Como seus beijos me levariam ao êxtase!
Franz Schubert (1797-1828) Moment Musical n. 3 (piano solo)
Fritz Jahr (1895-1953)
O fundador da Bioética
Fritz Jahr nasceu em Halle an der Salle, na Alemanha, em 18 de janeiro de 1895. Teve formação em Teologia, Filosofia, Música, História e Economia. Foi professor de educação infantil, no ensino fundamental e médio, em várias escolas públicas e privadas. No final de sua vida foi professor de violoncelo na assim como professor particular de Música. Foi Pastor Luterano por muitos anos em duas paróquias diferentes, próximas a Halle. Foi casado com Elise Neuholz, não teve filhos. Morreu na mesma cidade em 01 de outurbro de 1953 (6).
As suas propostas para a criação da Bioética foram propostas em dois artigos publicados em 1926 e 1927. Ele reconheceu que o que estava propondo não era efetivamente, nada de novo:
Objetivamente a Bioética não é, de modo algum, uma descoberta do presente. Como um exemplo interessante do passado, podemos lembrar a figura de São Francisco de Assis (1182-1226) com seu grande amor também pelos animais, que em sua acolhedora simpatia para com todos os seres vivos foi um precursor da exaltação de Rousseau de toda a natureza séculos depois (7).
Ele próprio teve uma educação ampla e abrangente que permitiu reconhecer a necessidade de uma visão mais integrada dos seres humanos com os demais seres vivos, baseada na noção de compaixão. Em vários trechos destes dois artigos, isto fica evidente:
A distinção clara entre animal e ser humano, válida desde o início de nossa cultura europeia até o final do século XVIII, não pode, hoje, ser mantida. (7).
Da Biopsíquica [Bio-Psychik] é apenas um passo para a Bio‐Ética [Bio-Ethik], ou seja, de assumir responsabilidades éticas, não só para com os seres humanos, mas para com todos os seres vivos (8).
Nós reconhecemos isso, quando nós nos familiarizamos com as sérias considerações da Ética das Plantas, feitas por um sóbrio filósofo, como Ed. Von Hartmann, que morreu há apenas vinte anos. Em um artigo sobre flores de luxo, ele escreve sobre uma flor colhida: "Ela é um organismo mortalmente ferido, mas apenas as suas cores ainda não foram destruídas, a cabeça ainda está ali, mas separada do torso. - Sempre que vejo uma rosa em um copo de água ou atada em um buquê, eu não deixo de lutar contra o pensamento desagradável que um ser humano tenha matado a vida da flor com o único propósito de a desfrutar com seus olhos, cruel o suficiente para não sentir a morte não natural sob a aparência de vida. - E se eu olhar uma obra-prima de um arranjo de flores, uma grande cesta com muitas das mais preciosas flores, me sinto pressionado a admirar uma mantilha, trançada na roca, com muitas borboletas e besouros ainda se contorcendo" (8).
A proteção dos animais ganha cada vez mais espaço e mais adeptos e qualquer pessoa digna hoje reage ao ver um ignorante decepar distraidamente as flores do caminho com a bengala de passeio ou quando crianças as arrancam e as jogam fora sem pensar alguns passos adiante (7).
A sua atuação como professor se manifesta quando propõe a criação de um Imperativo Bioética, ou seja, um mandamento que sirva de orientação para as nossas ações:
Nossa educação já fez grandes progressos nesse aspecto, mas temos de chegar a ponto de ter como prumo para nossas ações ao imperativo bioético que diz (7):
Respeita todo ser vivo essencialmente como um fim em si mesmo e trata-o, se possível, como tal! (7,8).
Ao reconhecer a necessidade da universalização e a integração das ações humanas, Fritz Jahr demonstra prudência e propõe que a responsabilidade de criar esta nova perspectiva de convivência é de todos:
Todos, plantas e animais, bem como os seres humanos, são iguais em direitos, mas não são idênticos, cada um de acordo com as condições necessários para alcançar os seus objetivos (8).
Mesmo ao ensinar História Natural, existe a possibilidade de influenciar na formação do caráter. Como resultado, estes indivíduos recebem, de certa forma, também uma formação de assuntos sobre caráter. É de grande importância lembrar a demanda contemporânea no que diz respeito a proteção da natureza. Esta necessidade não deve ser defendida apenas do ponto de vista estético, indicando que é feio torturar animais, destruir plantas sem sentido, e desfigurar a natureza livre de Deus jogando fora papel, cascas de ovos, ou vidro quebrado, - mas elevando-a como uma séria obrigação na Ética (8).
Finalizando, a Bioética nasce na Alemanha no início do século 20 como um produto do pensamento, da cultura e da reflexão que se seguiu a Primeira Guerra Mundial. O lastro dado pelas reflexões teológicas, filosóficas e científicas, associados à sensibilidade que a música e a literatura têm a capacidade de transmitir, é que permitiu esta construção de uma nova área de integração de saberes que é a Bioética. Resgatando o que disse Albert Schweitzer,
“Devemos dirigir nosso olhar para a humanidade”.
Johannes Brahms (1833-1897)
Vier ernste Gesänge (Quatro canções sérias) – op. 121 – Textos Bíblicos
I. Denn es gehet dem Menschen (O destino do homem) Salomão (1050aC-931aC) Eclesiástes 3:19-22
19 No fim das contas, o mesmo que acontece com as pessoas acontece com os animais. Tanto as pessoas como os animais morrem. O ser humano não leva nenhuma vantagem sobre o animal, pois os dois têm de respirar para viver. Como se vê, tudo é ilusão,
20 pois tanto um como o outro irão para o mesmo lugar, isto é, o pó da terra. Tanto um como o outro vieram de lá e voltarão para lá.
21 Como é que alguém pode ter a certeza de que o sopro de vida do ser humano vai para cima e que o sopro de vida do animal desce para a terra?
II. O Tod, o Tod, wie bitter bist du (Ó morte, ó morte, quão amarga você é) Jesus Ben Sirach (190aC- ) Eclesiástico 41:1-4
1 Ó morte, como tua lembrança é amarga para o homem que vive em paz no meio de seus bens,
2 para o homem tranqüilo e afortunado em tudo, e que ainda se encontra em condição de saborear o alimento!
3 Ó morte, tua sentença é suave para o indigente, cujas forças se esgotam,
4 para quem está no declínio da idade, carregado de cuidados, para quem não tem mais confiança e perde a paciência.
III. Wenn ich mit Menschen (Ainda que eu falasse as línguas dos homens) – Paulo de Tarso (5-67) Carta aos Coríntios 13:1-3, 12-13
1 Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver caridade, sou como o bronze que soa, ou como o címbalo que retine.
2 Mesmo que eu tivesse o dom da profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência; mesmo que tivesse toda a fé, a ponto de transportar montanhas, se não tiver caridade, não sou nada.
3 Ainda que distribuísse todos os meus bens em sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, se não tiver caridade, de nada valeria!
12 Hoje vemos como por um espelho, confusamente; mas então veremos face a face. Hoje conheço em parte; mas então conhecerei totalmente, como eu sou conhecido.
13 Por ora subsistem a fé, a esperança e a caridade - as três. Porém, a maior delas é a caridade.
Richard Strauss (1864 -1949)
Morgen! (Amanhã) - John Henry Mackay (1864-1933)
E amanhã o sol brilhará novamente,
E o caminho que eu percorrerei
Nos reunirá, nós os bem-aventurados, outra vez,
Sobre esta terra que respira a luz do Sol...
E na praia, na vasta praia banhada por ondas azuis,
Nós desceremos tranquila e lentamente;
Silenciosamente nos olharemos nos olhos um do outro
E o silencio da felicidade descerá sobre nós.
Richard Strauss (1864 -1949)
Zueignung (Dedicação) – Hermann von Gilm (1812-1864)
Sim, tu sabes, alma querida,
que me atormenta estar longe de ti.
O amor deixa doente o coração.
Obrigado!
Uma vez levantei bem alto, embriagado de liberdade,
a taça de ametista.
E tú abençoastes a poção.
Obrigado!
E exorcisaste o mal
Até que eu, como jamais antes havia estado,
Abençoado, mergulhei em seu coração.
Obrigado!
Encerramento
Quero agradecer a todos que colaboraram direta ou indiretamente para a realização desta oficina, especialmente a equipe de produção e de apoio, a Associação de Amigos do Theatro São Pedro e aos funcionários do Theatro São Pedro
Convidamos a todos para a próxima edição do Espírito do Tempo: Música, Literatura e Bioética que ocorrerá em 23 de outubro, neste mesmo Theatro São Pedro, refletindo sobre a Influência da cultura da década de 1960 para a formação da Bioética norte-americana no início dos anos 1970.
Boa noite e obrigado a todos!
NOME DATIVIDADE
O ESPIRITO DO TEMPO: MÚSICA, LITERATURA E BIOÉTICA
A influência da cultura alemã no início da Bioética
FICHA TÉCNICA
Direção:
José Roberto Goldim
Márcia Santana Fernandes
Direção Artística:
Angela Diel
Ney Fialkow Elenco:
Apresentador:
José Roberto Goldim
Cantora lírica- Mezzo Soprano:
Angela Diel
Pianista:
Ney Fialkow Produção Executiva:
Márcia Santana Fernandes:
Relações Públicas:
Laura Goldim Fotografia:
Alberto Goldim
Equipe de Apoio:
Bruna Borba Neves Bruna Genro
Cássia Linhares Pacheco
Christina Hallal Alves Gazal
Daniel Tietbohl
Gilberto Sanvitto
Helena Ashton Prolla
Larissa Roso
Luciane Cristina Vieira
Marianna Gazal Passos
Patrícia Fraga
Apoiadores:
· Núcleo Interinstitucional de Bioética – HCPA
· Escola de Medicina da PUCRS
· Programa de Pós-Graduação em Direito da PUCRS
· Fundação Médica do Rio Grande do Sul
· Casa da Música
· Instituto de Estudos Culturalistas – IEC
· Escola Superior de Magistratura – ESM/RGS
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