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Do ser o devir - Ilya Prigogine (resenha)

Texto

Seminários sobre a obra de Ilya Prigogine Do ser ao devir

José Roberto Goldim

  • O que isso mostra (referindo-se às situações longe do equilíbrio) é o papel construtivo do não-equilíbrio e em seguida a incerteza. (...) Você tem também o elemento incerteza, ligado à probabilidade, que aparece. E, para mim, no fundo, isso foi a prova de que a flecha do Tempo tem uma grande importância. Veja poderíamos dizer que as moléculas biológicas são moléculas que incorporaram o Tempo. (...) No equilíbrio tudo é simples e estável. Longe do equilíbrio, o complexo e o instável podem parecer. A grande objeção era que a vida é complicada demais para ser explicada pela física e pela química. essa objeção cai a partir do momento em que, longe do equilíbrio, você tem a possibilidade de estruturas complexas. p.35
  • e eis que mostramos que há dinâmicas das probabilidades! Que o futuro, como nas estruturas dissipativas, não está determinado! E a razão, no fundo, desse "indeterminismo", é que esses sistemas nos quais os fenômenos aparecem não se explicam com base nas partículas individuais, mas nos conjuntos. p.37-38
  • No caso do homem, uma decisão depende da memória do passado e da antecipação do futuro; é, portanto, algo muito mais complexo. p.39
  • (...) meu trabalho foi um trabalho de reconciliação. Quer dizer que vejo agora mais próximas a física e a filosofia. A filosofia sempre insistiu sobre o Tempo. O Tempo era sua grandeza central, porque o Tempo é também a ética, a escolha de valores. Enquanto para a física... p.39
  • Penso que a criação do universo é antes de tudo uma criação de possibilidades, das quais algumas se realizam e outras não. E também nisso estou de acordo com Bergson, que dizia que "a realidade é apenas um caso particular do possível". Essa frase talvez tenha muito sentido na nossa época, pois falamos muito de realidades virtuais. E no fundo as realidades virtuais são pré-realidades das quais realizamos uma fração. p.44
  • François Jacob disse em algum lugar que "o sonho da célula" é dividir-se, mas o "sonho da partícula" é subsistir. p.52
  • ...a ciência do fim do século (referindo-se ao século XX) é muito diferente daquela do início do século ( há hoje esse elemento narrativo de que falamos)...p.70
  • Creio que ciência abre grandes possibilidades; mas vão ser realizadas ou não? Não sou profeta... Mas é nas escolhas, nas possibilidades - e creio que isso que é interessante -, que chegamos a uma nova racionalidade. Uma racionalidade na qual a verdade científica não é o certo ou o determinado, e o indeterminado ou o incerto não é a ignorância. Porque há liberdade na natureza que descrevemos, a qual permite por sua vez a liberdade interior que experimentamos. p.73
  • Há pessoas que opõem a ciência e a ética. Para elas, a ciência fez grandes progressos, e a ética regride. Não sou desta opinião. Creio que nunca tanta gente participou da cultura. ...Quando Baudelaire publicou seus livros, quantos exemplares foram vendidos? Algumas centenas, não é? p.77
  • O homem hoje parece mais autônomo: ele vive sua liberdade. Evidentemente, liberdade significa ansiedade, de certa maneira; como dizia Sartre: "é mais fácil ser escravo do que senhor".
  • ...As escolhas, as possibilidades, a incerteza, são ao mesmo tempo uma propriedade do universo e próprias da existência humana! p.78
  • Voltaire escrevia efetivamente: "O universo me embaraça: e não posso pensar Que esse relógio ande e não tenha relojoeiro". p.82

Referência:

Prigogine I. Do ser ao devir. São Paulo: Editora UNESP, 2002.

Material sobre Ilya Prigogine Material de apoio - Ética Página de Abertura - Bioética

Texto incluído em 24/5/2003

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