Engenharia biológica: uma previsão - Hans Jonas (resenha)
Seminários sobre a obra de Hans Jonas
Engenharia Biológica - uma previsão
Resenha elaborada por
Luís Antônio Dallacosta Nogueira
(Bolsista voluntário) GPPG/HCPA
Neste capítulo o autor nos coloca diante de importantes questões:
- Os potenciais de tecnologia e engenharia, inerentes ao progresso científico, começam a fazer sua entrada nos domínios da biologia geral e humana em particular (p.63);
- O controle genético levanta questões éticas inéditas não preparadas pela praxis nem pelo pensamento anterior, como a própria natureza e imagem do homem (p.63);
- Para se enfrentar as novas questões seria necessária a prudência primeiro dever ético , o raciocínio hipotético primeira responsabilidade , bom senso prevendo as conseqüências antes de realizar as ações , e a sabedoria examinando o uso dos poderes antes de usá-los (p.63-64);
- Através do uso da razão moral seria necessária até a própria intervenção na liberdade de investigação da engenharia biológica, pelos riscos potenciais que o seu processo de amadurecimento ou a sua autonomia uma vez já amadurecida como ciência poderia ocasionar ao homem (p.64-65);
- A humildade seria necessária como um antídoto para a ruidosa arrogância tecnológica atual (p.65);
- Alguns homens se tornariam objeto direto da engenharia biológica e estariam sujeitando-se a outros homens (p.66);
- A engenharia biológica seria uma criação parcial e não total na engenharia biológica o homem seria co-agente ao lado do material que age por si mesmo apenas intervindo e não construindo (p.66-67);
- Pela imprevisibilidade o resultado das intervenções ficaria além do olhar do experimentador (p.67);
- Na engenharia biológica não existe modelo de substituição, a experimentação é o verdadeiro ato (p.68);
- As modificações orgânicas são irreversíveis, podendo criar desastres, fracassos, aberrações e monstruosidades (p.68-69);
- Engenharia biológica é sinônimo de engenharia genética onde a produção sofre conseqüências diretas e indiretas e seus efeitos são hereditários (p.69);
- Haveria a sujeição do "homem futuro" ao "homem presente" unilateral e planificada, e ainda assim cega (p.69-70);
- Quais seriam as finalidades da nova tecnologia genética sobre o homem? "Criar homens melhores? Mas por que padrão aferir o melhor? Homens melhor adaptados? Mas melhor adaptados a quê? Super-homens? Mas como saber o que é 'super'?" (p.71);
- Existem três tipos de manipulação biológica: preventiva, melhorada e criadora (p.72);
- A manipulação preventiva engloba o acasalamento controlado impede os portadores de genes patogênicos/deletérios de procriarem e os exames fetais diagnosticando doenças genéticas presentes nos fetos, acarretando possíveis decisões de interrupção de gravidez (sob este aspecto a eliminação de traços gênicos indesejáveis poderia se transformar na eliminação de seres desejáveis) (p.73-80);
- A manipulação melhorada abrange o acasalamento planejado com base em mapas genéticos dos parceiros e das suas histórias familiares se "melhoraria" a espécie com a escolha de sêmen e óvulos eugenicamente certificados , mas o que poderia ser considerado "melhor" e quem determinaria e com que base de conhecimento (a salvaguarda adaptativa da variabilidade gênica não estaria ameaçada?) (p.81-84);
- A manipulação criadora engloba a clonagem dá origem a réplicas gênicas exatas do organismo progenitor (p. 85-88);
- Na clonagem o efeito físico seria a geração de gêmeos idênticos, diferindo somente no intervalo de tempo as razões para ela abrangeriam desde capricho perverso, passando pelo utilitarismo e o fanatismo científico, até a multiplicação da excelência na espécime humana (pg. 88- 92);
- A critica à excelência defendida estaria centrada principalmente no significado que haveria de ter em ser clone para o próprio sujeito clonado (pg. 93);
- Crítica Existencial: "respeitar o direito de cada vida humana encontrar o seu próprio caminho e de se surpreender a si própria" (pg. 102).
Referência:
Jonas, H. Engenharia Biológica - uma previsão. In: Ética, medicina e técnica. Lisboa: Vega Passagens, 1994:63-116.
Material de apoio - clonagem
Material de apoio - tecnologia médica
Página de Abertura - Bioética
Texto incluído em 03/01/2002 (c)Nogueira/2002