O Parâmetro Humano
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Verissimo produz texto especial para o encerramento
Terça, 30 de janeiro de 2001, 13h07min
O escritor gaúcho Luis Fernando Verissimo produziu um texto para o encerramento do Fórum Social Mundial. No ato realizado na manhã desta terça-feira, no auditório do Centro de Eventos da PUC, o texto foi interpretado pelo ator gaúcho João França.
O Parâmetro Humano
O Ser Humano é a medida de todas as coisas. Pelo tamanho do Ser Humano se mede a vastidão do Universo, assim como pelo palmo e pela braça se começou a medir a Terra. Todo o conhecimento do mundo se faz de uma perspectiva humana, todo julgamento das coisas do mundo se faz por um parâmetro humano. Assim, enaltecer o senso moral do Ser Humano não é um floreio de linguagem que a única espécie que fala se faz, é valorizar este frágil instrumento de medição pelo qual a vida revela seu sentido.
O Ser Humano ou é moral, e julga tudo por um prisma moral, ou é apenas um mecanismo inútil.
O liberalismo pensa estar defendendo o indivíduo quando nega a primazia do social, ou diz que uma sociedade é apenas um conjunto de ambições autônomas. O culto ao individualismo seria um culto à liberdade se não elegesse como seu paradigma supremo a liberdade de lucrar e como referência moral a moral do mercado. Se não fosse apenas a última das muitas tentativas de substituir o ser humano como a medida de tudo, e seu direito à vida e à liberdade como o único direito a ser cultuado. Já tentaram rebaixar o homem a mero servo de uma ordem divina, a autômato descartável de engrenagens industriais, a estatística sem identidade de regimes totalitários, e agora a uma comodidade entre outras comodidades, com nenhuma liberdade para escolher seu destino individual e o mundo em que quer viver. Mas o indivíduo só é realmente um indivíduo numa sociedade igualitária, como só existirá liberdade real onde os valores neoliberais não prevalecerem.
O que aconteceu nestes cinco dias históricos de Porto Alegre foi uma tentativa de resgatar o parâmetro humano. Se houve ações mais fortes, elas se justificam pelo princípio jurídico da auto-defesa, pois estava-se defendendo a saúde do planeta, ou pelo princípio teatral da ação simbólica. O principal foi que falou-se muito, e o que se falou foi ouvido no mundo inteiro. Se não foi entendido no mundo inteiro, não faz mal. A intenção era apenas mostrar que seres humanos não abdicam da sua função, que o retorno de capital ainda não é a medida de todas as coisas no mundo. E, afinal, este foi apenas o primeiro Fórum Social Mundial.
Nos próximos, falaremos mais claro.
Redação Terra
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