Alimentos Transgênicos
Ética e Alimentos Trangênicos
notas para reflexão
José Roberto Goldim
O Governo Federal brasileiro liberou, ainda que de forma restrita, o plantio de soja transgênica no país. Esta questão merece uma reflexão aprofundada de suas alternativas, justificativas e conseqüências. As notas a seguir visam justamente propiciar algumas informações a este respeito.
Ética, Moral e Sociedade
Dois pensamentos para refletir sobre esta interação
Uma sociedade é caracterizada por uma visão moral compartilhada, sem ela não seria uma sociedade. (Warnock M. A Question of life. Oxford: Blackwell, 1985:XI.)
Os conceitos éticos estão vinculados aos costumes da sociedade, aos modos, às tradições e às instituições, todos eles estruturam e formam as maneiras pelas qual um membro desta sociedade lida com o mundo. (Elliott C. Where ethics comes from and what do about it. Hastings Center Report 1992;22(4):28-35.)
Alguns Dados Sobre Pesquisa e Uso de Plantas Transgênicas
Pesquisas com Alimentos Transgênicos (1997)
EUA
Europa
Notificação à EPA
Longo processo de liberação
3000 experimentos
882 experimentos
França 333
Itália 159
Reino Unido 148
Bélgica 91
Países Baixos 90
Alemanha 61
Área Agrícola com Plantas Transgênicas (1998)
35 milhões de hectares plantados
EUA 88%
Ásia 6%
América Latina 6%
Europa 0,003% (projeção para 2000 1%)
Alimentos Transgênicos: Ciência ou Tecnologia
Alimentos Transgênicos
EUA
versus
Europa
Tecnologia
visão
Ciência
Ousadia
Retorno Econômico
perspectiva
Cautela
Conhecimento Perigoso
Tempo X Investimento
relação
Tempo X Saber
Como a População Européia Opina sobre a Questão dos Alimentos Transgênicos
Europa (Eurobarômetro 1996)
(Zechendorf B. Agricultural biotechnology: why do europeans have difficulty accepting it ? AgBioForum 1998;1(1).)
Conhecimento e Relevância da Biotecnologia
Alto
Baixo
Países Baixos
Dinamarca
Reino Unido
Finlândia
Suécia
França
Alemanha
Portugal
Espanha
Áustria
Itália
Utilização Agrícola de Alimentos Transgênicos
Sim
Não
Países Baixos
Finlândia
Itália
Portugal
Espanha
Suécia
Dinamarca
Áustria
Reino Unido
Alemanha
França
Reconhece Benefícios da Biotecnologia
Sim
Não
Países Baixos
Finlândia
Reino Unido
Portugal
Espanha
Itália
Dinamarca
Suécia
Áustria
França
Alemanha
Reconhece Riscos da Biotecnologia
Sim
Não
Países Baixos
Dinamarca
Suécia
Reino Unido
França
Finlândia
Itália
Espanha
Áustria
Alemanha
Aceitação Moral dos Alimentos Transgênicos
Sim
Não
Países Baixos
Finlândia
Itália
Portugal
Espanha
Suécia
Dinamarca Áustria
Reino Unido
Alemanha
França
Características Transculturais dos Países Europeus
Características Transculturais
Geert Hofstede (Países Baixos)
1980-1997
160. 000 pessoas em mais de 50 países
Variáveis Consideradas
Distância de Poder
Individual Coletivo
Masculino Feminino
Evitamento de Incerteza
Características Transculturais dos Países Europeus
Distância
de Poder
Individualismo
Masculinidade
Evitamento de Incerteza
Alemanha
35
67
66
65
Áustria
11
55
79
70
Dinamarca
18
74
16
23
Espanha
57
51
42
86
Finlândia
33
63
26
59
França
68
71
43
86
Itália
50
76
70
75
Países Baixos
38
80
14
53
Portugal
63
27
31
104
Reino Unido
35
89
66
35
Suécia
31
71
29
Hofstede G. Cultures and Organizations: software of the mind. (intercultural cooperation and its importance for survival). New York: McGraw Hill, 1997:23-141.
Alimentos Transgênicos: Opiniões e Aspectos Transculturais
Aspectos Transculturais e Opiniões sobre Alimentos Transgênicos
Distância de Poder
Individualismo
Masculinidade
Evitamento de Incerteza
Conheci-mento
Benefício
Risco
Moral
Utilização
Áustria
11
55
79
70
Baixo
Não
Não
Não
Não
Alemanha
35
67
66
65
Médio
Não
Não
Não
Não
Dinamarca
18
74
16
23
Alto
Não
Sim
Não
Não
Suécia
31
71
29
Alto
Não
Sim
Não
Não
França
68
71
43
86
Médio
Não
Sim
Não
Não
Reino Unido
35
89
66
35
Alto
Sim
Sim
Não
Não
EUA
40
91
62
46
Países Baixos
38
80
14
53
Alto
Sim
Sim
Sim
Sim
Finlândia
33
63
26
59
Alto
Sim
Não
Sim
Sim
Itália
50
76
70
75
Baixo
Sim
Não
Sim
Sim
Espanha
57
51
42
86
Baixo
Sim
Não
Sim
Sim
Portugal
63
27
31
104
Baixo
Sim
Não
Sim
Sim
Brasil
69
38
49
76
Dados transculturais: Hofstede G. Cultures and Organizations: software of the mind. (intercultural cooperation and its importance for survival). New York: McGraw Hill, 1997:23-141.
Dados transgênicos: Zechendorf B. Agricultural biotechnology: why do europeans have difficulty accepting it ? AgBioForum 1998;1(1).
Considerações Finais
Os países que aprovam a utilização são os mesmos que aceitam moralmente os alimentos transgênicos. Os que negam a sua utilização são os que reprovam moralmente. A questão do conhecimento e relevância é secundária. O reconhecimento de riscos e especialmente de benefícios é um fator importante na tomada de opinião a este respeito.
Algumas questões ficam pendentes:
- na área da saúde:
- toxicidade em grande populações e a dificuldade de execução de estudos de monitoramento;
- alergenicidade, que não será resolvida pela simples rotulagem;
- na área ecológica:
- hibridação de espécies nativas com plantas transgênicas, repassando a característica para uma outra espécie, ao acaso. O principal risco envolvido é a transmissão de resistência a substâncias químicas, tipo herbicidas, podendo gerar nova pragas resistentes;
- na área econômica:
- dependência dos produtores, e por conseqüência, da própria sociedade, de um pequeno número de empresas que produzem sementes patenteadas, com replantio impedido por contrato ou por geração de pagamento de royalties.
Palestra apresentada no I Congresso Latino-Americano de Nutrição Humana. Gramado 26/06/1999.
Ver anúncio da Monsanto sobre a cobrança de royalties (Correio do Povo 16/09/2003, p.5)
Material de Apoio - Ética e Genética Pagina de Abertura - Bioética
Texto incluído em 28/06/1999 e atualizado em 26/09/2003(C)Goldim/1999